Todo ano, milhares de famílias brasileiras e latino-americanas se mudam para os Estados Unidos — e uma parte significativa o faz com seus cachorros e gatos. É um dos corredores de transporte de animais mais movimentados do mundo, e também um dos que geram mais confusão quanto aos requisitos.
Este guia cobre tudo o que você precisa saber para entrar nos Estados Unidos com seu animal vindo do Brasil ou de qualquer outro país da região.
O quadro geral: quem regula a entrada de animais nos Estados Unidos
Nos EUA, a entrada de animais é regulada principalmente por três órgãos:
- CDC (Centers for Disease Control and Prevention): regula a entrada de cachorros, especialmente em relação à raiva.
- USDA APHIS (Animal and Plant Health Inspection Service): regula a saúde animal e os certificados veterinários.
- US Customs and Border Protection (CBP): realiza a inspeção física no ponto de entrada.
As regras do CDC foram atualizadas em agosto de 2024. É importante verificar os requisitos vigentes no momento da sua viagem, pois as regulamentações relativas à vacina antirrábica mudaram recentemente.
Passo 1: o microchip
Os EUA aceitam microchips de diferentes padrões, incluindo o ISO 11784/11785 e alguns formatos americanos de 15 dígitos. No entanto, para garantir que o chip seja legível nos scanners do ponto de entrada, o padrão ISO é a opção mais segura.
Se seu animal tem um chip de padrão diferente ou formato proprietário, verifique com seu veterinário a compatibilidade. Em caso de dúvida, um segundo chip ISO pode ser implantado sem problemas.
Passo 2: a vacina antirrábica — o requisito mais crítico
A partir das mudanças do CDC de 2024, os requisitos de vacinação antirrábica para entrar com cachorros nos EUA são os seguintes:
- Cachorros vacinados contra a raiva no exterior precisam comprovar que a vacina foi administrada em um país não considerado de alto risco para raiva canina, ou que foi aplicada nos EUA, ou que atende os requisitos específicos do CDC para animais vacinados fora do país.
- Cachorros que nunca foram vacinados (geralmente menores de 6 meses) têm restrições de entrada mais rigorosas e podem precisar de quarentena.
A situação é mais complexa do que em anos anteriores. Antes de reservar qualquer voo, consulte a página oficial do CDC (cdc.gov/importation/dogs) para verificar os requisitos vigentes conforme o país de origem do seu animal.
Passo 3: o certificado veterinário
Para a maioria dos cachorros provenientes do Brasil, é exigido um certificado veterinário que ateste o estado de saúde do animal. Este certificado deve:
- Ser emitido por um veterinário habilitado pelas autoridades competentes do seu país.
- Incluir o número do microchip, o histórico de vacinação e os dados do proprietário.
- Em alguns casos, requerer legalização ou endosso oficial pelo MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) no Brasil.
- Ter validade de 10 dias a partir da assinatura veterinária.
O Certificado Veterinário Oficial (CVO) no Brasil
No Brasil, o órgão competente é o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). O certificado deve ser emitido e referendado por um veterinário credenciado pelo MAPA. Os documentos para entrar com um cachorro do Brasil nos EUA incluem o CVO referendado, certificado de vacinação antirrábica e documentação do microchip.
O que esperar no ponto de entrada nos EUA
Ao chegar a um aeroporto americano com seu animal, você passará pelo Customs and Border Protection (CBP). O agente verificará:
- O microchip do animal (com um leitor portátil).
- O certificado veterinário e a vacinação antirrábica.
- O estado de saúde visível do animal.
Se a documentação estiver em ordem, o processo é rápido. Se houver alguma inconsistência ou documentação incompleta, o animal pode ser retido para inspeção adicional ou, em casos extremos, devolvido ao país de origem.
Cidades de entrada mais utilizadas desde o Brasil
- Miami (MIA): o hub principal para voos da América do Sul e do Caribe. Tem infraestrutura específica para animais vivos.
- Nova York JFK: frequente para voos da Europa e algumas rotas sul-americanas.
- Los Angeles (LAX): para rotas do México, América Central e oeste da América do Sul.
- Houston (IAH): hub importante para o México e América Central.
Cronograma para o transporte do Brasil para os EUA
| Tempo | Ação |
|---|---|
| 10 a 12 semanas antes | Verificar microchip, status da vacina antirrábica, consultar requisitos CDC vigentes |
| 8 semanas antes | Vacina antirrábica se precisar de reforço, início do acostumamento à caixa de transporte |
| 4 a 6 semanas antes | Reservar o serviço de transporte, confirmar companhia aérea, comprar caixa IATA |
| 10 a 14 dias antes | Consulta com veterinário habilitado para o CVO |
| 7 a 10 dias antes | Legalização do certificado pelo MAPA |
| 3 a 5 dias antes | Receber certificado legalizado, preparar documentação da caixa |
| 24 a 48 horas antes | Revisão final, última refeição 6 horas antes, exercício, congelar bebedouro |
Um conselho que muitos ignoram
Além dos documentos, a experiência da viagem depende muito de quanto tempo você levou preparando seu animal para esse momento. Os cachorros que chegam mais tranquilos aos EUA não são os que têm mais papéis — são os que viajaram em uma caixa que já conheciam como seu espaço seguro.
A preparação emocional não se improvisa. Comece o acostumamento à caixa com pelo menos 6 semanas de antecedência.
De qual cidade você está se mudando e qual é a data da sua mudança? Conte-nos e montamos o checklist exato para a sua rota.