Miami é o hub de conexão mais ativo entre os Estados Unidos e a América Latina para o transporte de animais de estimação. O Aeroporto Internacional de Miami (MIA) tem voos diretos para as principais cidades da região e uma infraestrutura de cargo de animais vivos consolidada. Mas cada país de destino tem seus próprios requisitos sanitários, e os erros na documentação resultam em retenção do animal na fronteira, gastos imprevistos ou devolução do voo.
Este guia organiza os requisitos atualizados a 2026 para os destinos mais consultados: México, Colômbia, Argentina e Peru, com uma seção adicional sobre outros países andinos. Também inclui o cronograma recomendado para que os trâmites cheguem em tempo hábil.
Documentação base dos EUA: certificado veterinário + endorsement USDA
Independentemente do país de destino, todo cachorro que sai dos Estados Unidos em direção à América Latina precisa de dois documentos base:
- Certificado de saúde veterinário (Health Certificate): emitido por um veterinário credenciado pelo USDA (USDA Accredited Veterinarian). Esse certificado declara que o animal foi examinado clinicamente nos dias anteriores à viagem, que está em bom estado de saúde, que tem as vacinas em dia — vacina antirrábica vigente obrigatória para todos os destinos — e que está identificado com microchip ISO 11784/11785.
- Endorsement USDA APHIS: o certificado veterinário emitido pelo veterinário credenciado deve ser validado por um representante oficial do USDA APHIS antes do voo. Sem esse endorsement, o documento não tem reconhecimento oficial perante as autoridades sanitárias do país de destino. O endorsement é solicitado junto ao escritório do USDA APHIS correspondente ao estado de origem, neste caso a Flórida.
O processo de endorsement na Flórida pode ser feito presencialmente no escritório do USDA APHIS em Gainesville ou por correio expresso. Os prazos variam, mas geralmente levam entre 1 e 3 dias úteis após o recebimento da documentação completa.
Além desses dois documentos base, cada país exige requisitos adicionais que detalhamos a seguir.
México: o que exige o SENASICA
O Serviço Nacional de Sanidade, Inocuidade e Qualidade Agroalimentar (SENASICA) é a autoridade sanitária que regula a entrada de animais de companhia no México. Os requisitos vigentes para 2026 são:
- Certificado de saúde com endorsement USDA (ver seção anterior). O certificado deve ter sido emitido com no máximo 10 dias antes do ingresso.
- Vacinação antirrábica: vigente e documentada. O SENASICA exige que a vacina tenha entre 30 dias e 1 ano de aplicação no momento do ingresso. Uma vacina aplicada nas 72 horas anteriores à viagem não é válida.
- Vacinas adicionais: o SENASICA recomenda vacinas contra cinomose, parvovírus, hepatite e leptospirose. Na prática, a inspeção costuma se concentrar na antirrábica, mas a documentação completa evita atrasos.
- Microchip ISO: obrigatório para identificação.
- Tratamento antiparasitário: em alguns pontos de ingresso, é solicitada evidência de desparasitação recente (interna e externa). Recomenda-se aplicar o tratamento entre 3 e 10 dias antes do voo e documentá-lo no certificado veterinário.
O ingresso pelo Aeroporto Internacional da Cidade do México (AICM) ou por qualquer outro aeroporto com voos diretos de Miami não requer quarentena para cães que cumpram a documentação. A inspeção na fronteira é relativamente ágil se os papéis estiverem em ordem.
Colômbia: requisitos do ICA
O Instituto Colombiano Agropecuário (ICA) regula a entrada de animais de companhia na Colômbia. Os requisitos para cães procedentes dos Estados Unidos em 2026 incluem:
- Certificado sanitário internacional com endorsement USDA. O certificado deve incluir declaração explícita do veterinário sobre: identificação do animal (nome, espécie, raça, sexo, idade, microchip), estado de saúde, vacinas vigentes, tratamentos antiparasitários e aptidão para a viagem.
- Vacina antirrábica vigente: com no mínimo 30 dias de aplicação antes do ingresso. Se o cão tiver menos de 3 meses ou mais de 1 ano desde a última dose, a vacina não é válida.
- Vacinação polivalente: cinomose, hepatite, parvovírus, parainfluenza. O ICA exige evidência de esquema completo ou em dia.
- Desparasitação interna e externa: dentro dos 30 dias anteriores à viagem, documentada no certificado.
- Microchip ISO 11784/11785.
A Colômbia não exige quarentena para cães que ingressam com documentação completa. O controle é realizado nos portos de ingresso habilitados; o Aeroporto Internacional El Dorado em Bogotá e o Aeroporto Internacional José María Córdova em Medellín são os mais utilizados para voos de Miami.
Um ponto relevante: o ICA pode rejeitar animais que apresentem sinais clínicos visíveis no momento do ingresso, independentemente da documentação. Um animal doente, com secreções oculares ou nasais abundantes, ou com sinais de estresse severo pode ser retido para avaliação adicional.
Argentina: requisitos do SENASA
O Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (SENASA) é o órgão que regula a entrada de animais de companhia na Argentina. Os requisitos para cães procedentes dos Estados Unidos são os mais detalhados da região:
- Certificado sanitário oficial dos EUA com endorsement USDA. O SENASA tem formatos específicos que o veterinário credenciado pelo USDA deve preencher. Um certificado genérico não é suficiente; deve se ajustar ao modelo aceito pelo SENASA.
- Vacina antirrábica: com mínimo de 30 dias e máximo de 365 dias de aplicação. As primovacinas (primeira vez que o animal é vacinado) devem ter pelo menos 30 dias de antecedência ao ingresso.
- Vacinas polivalentes: cinomose, hepatite, parvovírus, parainfluenza, leptospirose — pelo menos duas doses aplicadas com 21–28 dias de intervalo se for primovacina.
- Tratamento antipulgas e carrapatos: dentro dos 10 dias anteriores ao ingresso, com produto documentado por nome comercial e princípio ativo no certificado.
- Desparasitação interna: dentro dos 10 dias anteriores, com nome comercial do produto no certificado.
- Microchip ISO 11784/11785.
- Passaporte ou caderneta sanitária: se o animal tiver histórico nos EUA, a caderneta veterinária facilita a revisão na fronteira, embora não seja obrigatória.
A Argentina não requer quarentena para cães com documentação completa. No entanto, o controle em Ezeiza pode demorar se houver inconsistências nos documentos ou se o veterinário de fronteira solicitar esclarecimentos. Os tempos de liberação em Ezeiza variam entre 30 minutos e várias horas dependendo da carga de trabalho do dia.
Peru e outros países andinos
O Serviço Nacional de Sanidade Agrária (SENASA Peru) regula a entrada de animais de companhia no Peru. Os requisitos são semelhantes aos da Colômbia:
- Certificado sanitário com endorsement USDA, validade máxima de 10 dias ao ingresso.
- Vacina antirrábica com entre 30 dias e 1 ano de aplicação.
- Vacinas polivalentes em dia.
- Desparasitação interna e externa documentada dentro dos 15 dias anteriores.
- Microchip ISO.
Para o Chile, o SAG (Serviço Agrícola e Pecuário) tem um dos protocolos mais rigorosos da região. Exige ainda uma declaração jurada do proprietário, tratamento específico contra Echinococcus com praziquantel documentado dentro dos 5 dias anteriores ao ingresso e, em alguns casos, o animal pode ser retido para inspeção adicional. Os prazos no Chile podem se estender consideravelmente se a documentação não estiver exatamente conforme.
Para o Equador, o AGROCALIDAD exige certificado com endorsement USDA, vacina antirrábica, polivalentes e desparasitação. Os tempos de ingresso em Quito e Guayaquil são geralmente mais ágeis do que na Argentina ou no Chile.
Para o Brasil, o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) tem requisitos específicos que incluem certificado oficial, vacinas, desparasitação e, em alguns casos, o certificado deve estar apostilado conforme a Convenção de Haia. O Brasil merece um artigo separado pela complexidade dos seus requerimentos.
Cronograma recomendado: com quanta antecedência providenciar
O erro mais frequente no traslado de animais de estimação de Miami para a América Latina é começar os trâmites tarde demais. Os documentos têm janelas de validade reduzidas: se o endorsement USDA for solicitado cedo demais, pode vencer antes do voo; se for solicitado tarde demais, não chega a tempo.
O cronograma recomendado é:
- 8 semanas antes: confirmar que o microchip do animal está registrado e é compatível com ISO. Verificar vacinas vigentes e programar reforço antirrábico se necessário (deve ter 30 dias de antecedência ao ingresso).
- 6 semanas antes: consultar um agente especializado sobre os requisitos específicos do país de destino. As normas mudam e é importante trabalhar com informações atualizadas à data da viagem.
- 3 semanas antes: fazer a avaliação veterinária de aptidão para o voo e começar a preparar o certificado sanitário com o veterinário credenciado pelo USDA.
- 10–14 dias antes: o veterinário credenciado pelo USDA emite o certificado de saúde. O certificado não deve ser emitido com mais de 10 dias de antecedência ao voo para que ainda esteja dentro do período de validade.
- 7–10 dias antes: solicitar o endorsement USDA APHIS. Com o endorsement em mãos, a documentação está completa para a maioria dos destinos.
- 3–5 dias antes: verificar que toda a documentação está em ordem, que os dados do animal coincidem exatamente em todos os documentos e que o microchip está corretamente registrado.
A Pet Cargo gerencia esse processo completo a partir de Miami como agente credenciado USDA/APHIS #58-T-0201 e IPATA #2149. A coordenação do cronograma faz parte do serviço, não é uma tarefa adicional do tutor.
Perguntas frequentes
O endorsement USDA é obrigatório para exportar um cachorro de Miami?
Sim, para a maioria dos países da América Latina o certificado veterinário emitido nos Estados Unidos deve estar endossado (validado) por um representante credenciado do USDA APHIS. Sem esse endorsement, o certificado veterinário não tem valor oficial perante as autoridades sanitárias do país de destino.
Com quanta antecedência devo providenciar o certificado veterinário?
O certificado veterinário tem uma janela de validade que varia conforme o país de destino, geralmente entre 7 e 14 dias antes do voo. O processo completo — desde a avaliação veterinária até o endorsement USDA — pode levar entre 5 e 10 dias úteis. Por isso recomendamos iniciar os trâmites com pelo menos 6 semanas de antecedência.
Preciso de um agente USDA/APHIS para exportar meu cachorro dos EUA?
Não é obrigatório contratar um agente, mas é muito recomendável. Os requisitos variam por país, mudam com frequência e os erros na documentação resultam em retenção do animal ou devolução do voo. Um agente credenciado como a Pet Cargo (USDA/APHIS #58-T-0201) gerencia o processo completo e reduz significativamente o risco de problemas no destino.
Posso levar meu cachorro na cabine no voo Miami-América Latina?
Depende da companhia aérea e do tamanho do cachorro. Cães pequenos que cabem em uma bolsa sob o assento podem viajar na cabine em muitas companhias aéreas. Cães de porte médio ou grande viajam no cargo. Os requisitos de documentação são os mesmos independentemente da modalidade de viagem.